Review Caveleiro da Lua

Depois de acompanhar aquilo que começou como uma estranha aventura sem pé nem cabeça, parecendo que teria mais furos que peneira velha, Cavaleiro da Lua finalmente termina sua primeira temporada com um season finale absolutamente digno, sendo colocada a caminho do pódio como uma das melhores séries da Marvel (até agora).


Trailer da Série:


Moon Knight, traduzido corretamente no Brasil como Cavaleiro da Lua, é uma minissérie com apenas 6 episódios de 50 minutos (média).

O que é?

Cavaleiro da Lua é uma série live-action 100% adaptada dos quadrinhos de mesmo nome, tomando por base ou inspiração boa parte do que ocorre na HQ Cavaleiro da Lua Vol. 04:Lunático (além de algumas outras).


No entanto, ao contrário das outras séries da Marvel (anteriores), que serviram como um tipo de extensão ou prestação de contas a respeito do que seus protagonistas estavam fazendo após os eventos ocorridos em Vingadores Ultimato (Wanda Vision, Loki, O Falcão e o Soldado Invernal e Gavião Arqueiro), Cavaleiro da Lua é literalmente a apresentação e introdução de um novo personagem ao UCM. Função essa, normalmente atribuída aos longas da Marvel Studios, que servem para levar a um grande vento de fim de Fase.


Tendo isso em mente e, levando em conta que a série trouxe “apenas” 6 episódios, porém de mais ou menos 50 minutos, temos SIM muito tempo de tela para conseguir apresentar o personagem e todo seu “micro universo”, consolidar seu conteúdo enquanto cada personagem conquista a audiência de alguma forma. Por fim e não menos importante, a série também não economiza na quantidade de easter eggs, deixando muitas pontas soltas para que as futuras produções consigam criar alguma ligação com os outros personagens novos e/ou já consagrados no UCM.


Informação Técnica

Criação

Doug Moench;

Direção

Mohamed Diab: 4 episódios;

Justin Benson: 2 episódios;

Aaron Moorhead: 2 episódios;

Escritores e Roteiristas

Danielle Iman;

Doug Moench;

Don Perlin;

Jeremy Slater;

Alex Meenehan;

Peter Cameron;

Sabir Pirzada;

Beau DeMayo;

Michael Kastelein;

Rebecca Kirsch;

Mathew Orton;

Jack Kirby;

Stan Lee.

Elenco

Oscar Isaac, interpretando Marc Spector, Steven Grant, Moon Knight, Mr. Knight e Jake Lockley;

Ethan Hawke, interpretando Arthur Harrow;

May Calamawy, interpretando Layla El-Faouly;

F. Murray Abraham, interpretando Khonshu;

Antonia Salib, interpretando Tawaret;

Saba Mubarak, interpretando Ammit.


Enredo Base

A Sinopse OFICIAL da série é:

Cavaleiro da Lua acompanha Steven Grant, um gentil e educado funcionário de uma loja de souvenir, que é atormentado com apagões e memórias de outra vida. Steven descobre que tem transtorno dissociativo de identidade e divide o corpo com o mercenário Marc Spector. À medida que os inimigos de Steven/Marc se voltam para eles, ambos devem navegar em suas complexas identidades enquanto mergulham em um mistério mortal entre os poderosos deuses do Egito.

Impressões

Sobre as primeiras impressões em relação à série, é inegável que a repercussão nas redes sociais trouxe diversas discussões, resenhas, especulações e diversos outros conteúdos que aparentemente não retornaram boas vibrações para aquela que, até agora, foi a produção mais dark da Marvel/Disney voltada para o Streaming diretamente no Disney Plus - sendo até agora a série mais cheia de sangue e gente morrendo.


Por falar no grau de violência on screen, não é de hoje que a Marvel vem se esforçando para trazer cada vez mais produções que visam elevar (aos poucos) o limite dessa barra. Somando isso à tradicional entrega de algo inesperado ou apoteótico no terceiro arco de suas produções, não é de surpreender que a aceitação do público ocorreu impreterivelmente do meio para o final da produção, sendo basicamente quando o roteiro se conecta com as expectativas da maioria dos fãs em relação aos eventos das HQ’s.


Tendo isso em vista, é possível notar que o caso de Cavaleiro da Lua não foi diferente! Primeiro, a série apresenta um protagonista 100% desconhecido do grande público (consumidor médio que acompanha apenas o UCM), que neste momento já está mais perdido que o próprio espectador assistindo a história de um personagem que ainda está descobrindo mais sobre si mesmo e, de repente percebe que sua vida inteira foi uma mentira!


Quando o público vivencia a experiência de “trocas” entre Marc e Steven, é quando todos começam a entender que se trata de um “personagem composto”. Um conflito ambulante entre duas personalidades distintas, ambas carismáticas (a seu modo), que cooperam para triunfar sobre uma estranha organização religiosa que tem o objetivo de libertar uma Deusa Egípcia cuja cartilha do julgamento e sabedoria divina prega a pura e simples pena capital antes mesmo da realização de um suposto ato criminoso sem qualquer categorização ou qualificação.

…Mais alguém também ficou se perguntando como Ammit julgaria o Thanos?

Como se tudo isso já não fosse material suficiente para uma ótima série, a produção se apresenta num tom de aventura e mistério onde cada pista e resposta leva a mais um enigma que pode ou não trazer uma resposta. Essa aposta arriscada da Marvel permitiu implementar esse tipo de trama numa série de apenas 6 episódios onde a “receita mágica da Marvel” precisa de pelo menos 2 episódios para implementar o mistério da temporada, que aparentemente foi resolvido ao longo dos episódios (ou será que não?).


No fim, a impressão sobre a trama/roteiro é que, de modo geral (sob um ponto de vista 100% prático), o plot não fugiu tanto do que o bom e velho Thanos tinha a intenção de fazer. Afinal do Titã Louco queria eliminar (indiscriminadamente) ½ da vida no universo apenas para que a outra metade pudesse viver e prosperar; enquanto o plano de Ammit era eliminar (matando e devorando as almas) todos os criminosos que cometeram ou ainda cometeriam crimes (sem qualquer tipificação ou categorização), a fim de permitir que, os bons possam viver e prosperar.


Entre os pontos fortes da série, destaca-se facilmente o protagonista, o vilão e é claro a crescente descentralização americana, que certamente teve um grande papel em sua ampla aceitação.

 

A série atingiu a impressionante marca de 86% de aceitação pela crítica e 92% de aceitação pela audiência em geral no Rotten Tomatoes no dia em que escrevemos esse review.

 

Como assim? (Spoilers a caminho!)

Então vamos lá! Não é de hoje que a Marvel está se mostrando perfeitamente consciente do tamanho do planeta e, aliando isso à crescente necessidade de representatividade, simplesmente estão entregando de forma sutil e estratégica cenas maravilhosas em todas suas atrações. A título de exemplo temos o salvamento daquela garota absolutamente comum pela personagem Layla El-Faouly, coroado pelo momento em que a própria garota pergunta se Layla era um tipo de super-heroína egípcia (no momento, Layla estava com os poderes do avatar da Deusa Tawaret). Quando a heroína responde positivamente, a garota vibra em sinal de aprovação.


Sobre o(s) protagonista(s), simplesmente não há o que falar do trabalho de Oscar Isaac, que transitava em as personalidades de Marc e Steven com uma facilidade que não precisávamos de qualquer artifício externo que indicasse quem era quem. Como se isso já não fosse um trabalho gigante e uma entrega fantástica, ainda somos presenteados com sua aguardada 3ª personalidade no último episódio: Jake Lockley.


Ainda sobre o personagem principal, infelizmente a Marvel alterou uma coisa ou outra sobre seus poderes e principalmente seus alter egos, “detalhes” como seus respectivos modus operandi e as características básicas de cada uma das 3 personalidades apresentadas. Contrapondo isso à relação do Cavaleiro da Lua com o Deus Khonshu, temos um produto que fica muito próximo daquilo que vemos nas HQs. Até porque, a série demora mas entrega a personalidade soturna, imprevisível, astuta e inescrupulosa do Deus da Lua, principalmente no último episódio.


Entre os pontos médios e baixos, ficam observações em relação à falta de parâmetros e à inconstância dos (super)poderes apresentados. A série entrega uma salada de feitos e realizações que, apesar de serem bem legais, atropelam qualquer tipo de escala de poder; além de deixar bem claro que, apesar do panteão egípcio ter sua hierarquia, não há nenhuma claramente estabelecida entre as divindades presentes na série. Faltando uma quantidade considerável de explicação para quem não conhece a mitologia egípcia.


Ainda sobre essa questão dos poderes, reforçando o ponto destacado acima, podemos apontar a audiência com a Ennead. Onde todos os avatares se mostram muito poderosos (já que estão na câmara principal de reuniões) subjugando facilmente Marc/Steven/Khonshu. Por outro lado, no mesmo local de poder, são TODOS massacrados por Harrow como se não fossem absolutamente nada para ele. Piorando ainda mais a situação, o público descobre (mais próximo do final da temporada) que o vilão sequer tinha os poderes de um avatar de Ammit, já que a mesma ainda estava aprisionada em seu Ushabti - Isso fica bem claro quando vemos que Marc/Steven ficam “indefesos” sem os poderes de Khonshu, que também estava aprisionado em pedra.


Veredito

Analisando a situação e pensando prós e contras entregues pela série, é hora de fazer as vezes da balança de Ammit e decidir o quanto que vale a experiência proporcionada ao assistir Cavaleiro da Lua.


A Marvel entregou uma produção muito bem feita, com um elenco primoroso, valorizando artistas egípcios ou que tenham o biotipo mais próximo deles. Trabalhou os efeitos de maneira muito cuidadosa gerenciando o orçamento a fim de trazer personagens muito escritos (inclusive, alguns totalmente novos). Nos apresentou uma trilha sonora de qualidade, com efeitos de áudio encaixados nas horas certas, valorizando (muito) a produção como um todo.


Sobre a adaptação de roteiro, por mais que existam diferenças entre a série e as HQs, o que é absolutamente esperado e compreensível, já que se trata de uma adaptação, ainda assim é muito próximo do conteúdo da Run indicada acima e, isso certamente é um ponto positivo enorme para a série.


Adicionando tudo isso ao fato de simplesmente poder assistir uma trocação franca de dois Deuses ao bom e velho estilo Kaiju (usando as pirâmides do Egito como ringue) enquanto seus respectivos avatares também saem no braço, isso já vale a série inteira! Então para nós da Equipe Fliperama de Verdade, a série...

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Para os interessados de plantão, a Equipe Fliperama de Verdade e convidados, gravamos um podcast sobre as três primeira séries da Marvel: WandaVision, Gavião Arqueiro e Soldado Invernal e Loki, que estão no DisneyPlus:


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