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Review Prey: Predador a Caçada

Ao contrário do que se espera quando ouvimos qualquer comentário sobre um novo filme do Predador, já pensamos em como será essa nova sequência da sequência da sequência…



Mas para a surpresa de muita gente, inclusive a nossa, DESSA VEZ estamos falando de uma prequela que provavelmente foi o estopim de todo o interesse (quase contínuo) que essa raça de caçadores espaciais tem pelos diversos habitantes do planeta Terra, em particular, os seres humanos.


Trailer do filme:


ENREDO:

Prey, no Brasil, o filme veio traduzido como: O Predador: A Caçada (OPaC), e temos a sinopse oficial do filme que diz apenas que…


Em 1719, uma habilidosa guerreira Comanche tenta proteger seu povo de um predador alienígena altamente evoluído que caça humanos por esporte. Ela luta contra a natureza, colonizadores perigosos e essa criatura misteriosa para manter sua tribo segura. Sendo assim, complementamos apenas com alguns detalhes (sem spoilers) que, mesmo sabendo como eram as relações entre homens e mulheres nas tribos indígenas no tocante à divisão do trabalho, os roteiristas preferiram “romantizar” a história e valorizar a pauta de empoderamento feminino, inserindo uma protagonista que não perde em nada para o bom e velho Dutch, personagem de Arnold Schwarzenegger no filme original de 1987.


INFO TÉCNICA:

O filme é dirigido por Dan Trachtenberg, um diretor que tem uma certa experiência na direção, sendo o responsável por algumas atrações como:

Entre todos os diversos personagens do filme, nos atentamos àqueles que chamaram mais nossa atenção. Caso queira mais informações a respeito do elenco, por favor acesse a página do filme no IMDB:



VALE A PENA ASSISTIR?

Prey nada mais é do que uma belíssima “explicação cinematográfica” muito bem montada, recheada de lindas capturas de plano aberto, precisamente sonorizadas com áudio 100% apropriado (músicas e sons diversos em sintonia com a proposta visual) mas… Infelizmente não traz qualquer assinatura ou documentação canônica que posicione o filme definitivamente como o “primeiro contato” e consequentemente a origem da relação complicada entre nós (Humanos) e os Yautja (Raça dos Predadores).


Porque afirmamos isso? Porque o enredo nos joga para 1719, no meio das Grandes Planícies da América do Norte, num local habitado pelos índios Comanche não convence como “marco zero” do interesse Yautja pela raça humana. Por outro lado, é sem sombra de dúvidas o primeiro filme a ser assistido, caso haja algum interesse do espectador. Claro que nos referimos a um interesse cronológico pelos acontecimentos da franquia. Voltando ao filme, o roteiro e a direção dá uma forçada na “liga da trama” quando entrega a chegada da nave Yautja à Terra. Tá certo que nós, espectadores que já sabemos o que esperar, e isso é ruim, temos a consciência de que “o bicho tá vindo”. O que ficou um pouco falho na questão da “obviedade” é se o fato da nave do predador estar em chamas tem alguma coisa a ver com a passagem pela atmosfera ou se estava avariada.


O que isso importa? Simples! Se for uma questão da atmosfera, o Caçador veio para a Terra propositalmente. Agora, se foi uma questão de avaria, então ele foi obrigado a realizar um pouso de emergência, ligou para a "seguradora" em seu planeta natal e decidiu dar uma explorada e caçar alguma coisa para passar o tempo enquanto aguardava a chegada do reboque… O primeiro caso hipotético, mostra que os Yautja não são tão “honrados” assim, vieram para a Terra para caçar presas notavelmente mais fracas que eles. Já o segundo caso, mostra que vieram parar por acaso, num planeta bárbaro e perigoso até para caçadores espaciais experientes e devidamente equipados com tecnologia de ponta - claro que NÓS preferimos o segundo caso hipotético, que é dramaticamente mais interessante.


Voltando à chegada da nave à Terra, quando vista pelos olhos de um Comanche de 1719, é claro que está dada a confusão na cabeça da protagonista! Não tinha como ela crer que havia presenciado um fenômeno divino, mais precisamente uma manifestação do Pássaro da Tempestade, que teria aparecido a ela precisamente antes da caçada ritualística que a classificaria/marcaria/promoveria à função de caçadora junto a outros elementos de sua tribo - salvo engano, a tribo de Naru (protagonista) não foi identificada pelo roteiro como pertencente a nenhuma das 3 divisões Comanche da época: Yamparikas, Jupes e Kotsotekas. O que ajudaria muito a saber qual localidade do território deles se passa o filme (mas isso não passa de curiosidade mesmo).



A partir daí, a direção brinca com todos os elementos à sua disposição, entregando ao espectador uma variedade de situações que ocorrem dentro e fora da tribo ao longo de 3 arcos muito distintos, colocando o espectador na mesma situação do meme do Leonardo DiCaprio, brigando com a TV, já que nós, os espectadores sabemos (e aguardamos) pelo “bodycount” que aguarda os Comanche…


E por falar na sanguinolência, praticamente tudo nesse filme nos leva a situações de caça belamente “pintadas”, favorecendo muito a fotografia do filme, que conta com momentos de ação e aventura, perseguições acrobáticas, cenas de luta muito bem coreografadas, ora favorecendo a caça, ora o caçador. Claro que direção não poderia deixar de mostrar a alternância constante entre esses papéis, deixando claro que a Cadeia Alimentar e a Lei da Selva estão lá para serem respeitadas (tem até um momento de respeito em relação aos animais abatidos que lembra muito uma cena de Avatar, mas isso também fica de curiosidade).


Depois de assistirmos ao filme e pensar um pouco, não tem como “desver” que a direção tentou criar “momentos escada”, criando uma nítida escalada de poder, caracterizando o arco de aprendizado e a evolução dos personagens da mesma forma que um anime de lutas o faz ou ainda, as mecânicas de um jogo de RPG, onde você precisa ficar mais forte para fazer a nova missão. Claro que esse cuidado da escalada de poder leva a um novo problema: A administração da tecnologia alienígena - uma vantagem absurda para o Predador em todos os momentos do filme.


Por que isso é um problema? Pense no tamanho da curva de aprendizado (basicamente empírico e de alto risco) que um Comanche de 1719 teria para manipular os equipamentos alienígenas. Basta ver que Naru não sabia o que era uma armadilha de caça de ferro fundido com corrente, não sabia o que era uma pistola e como operá-la usando saco de pólvora e acendendo o pavio - mas não insistiremos muito nessa questão para não dar muito spoiler. Mas não é segredo que a direção acabou usando da similaridade da maioria das armas para reduzir essa curva de aprendizado, quando nós espectadores somos “obrigados” a suspender a descrença para continuar assistindo o filme.


VEREDITO (com pouco spoiler):

Depois de 1 hora e 40 minutos de filme, sendo superficialmente apresentados à cultura de caça dos Comanche (sem destacar sua maior característica e vantagem sobre outros povos contemporâneos a eles, a total integração dos cavalos em suas tribos e o quanto eram bons cavaleiros, salvo 1 cena), o enredo nos mostra em partes homeopáticas as seguintes situações:

  1. Há uma mulher descontente com aquilo que o resto da tribo acha dela, está infeliz e praticamente frustrada com isso e com o papel que a tribo reserva e impõe às mulheres, estando disposta a arriscar tudo para subverter a ordem natural das coisas entre os seus. Claro que hoje em dia é muito complicado de fugir desse tipo de pauta e certamente tem gente que vai dizer que o filme é feminista. Mas o fato é que tudo foi construído de tal forma que não ficou ruim e muita gente não vai perceber esse detalhe.

  2. Existem incursões de “homens brancos” no território de caça Comanche e eles se mostram tecnologicamente superiores aos indígenas logo no início do filme, mas ainda assim, o roteiro mostra ao espectador que esses outros humanos são um perigo alto, mas possível de ser enfrentado e derrotado pelas mãos dos indígenas.

  3. O território de caça dos indígenas estava sendo contestado por um grande felino da montanha enquanto “outra coisa” agia paralelamente como uma força imparável, caçando e matando tudo o que encontrava - onde depois descobrimos que eram 2 forças caçadoras: Os Franceses e o Yautja.

  4. Uma criatura alienígena está à espreita, utilizando armas e equipamento de altíssima tecnologia para caçar e matar exemplares daquilo que considera como ameaça ou simplesmente digno de sua atenção. Mas o ponto que fica muito claro sobre o modus operandi do Yautja é que ele não mata por matar. Precisa haver a emoção da caçada, o processo precisa valer a pena, afinal de contas, a presa mais perigosa terá seu crânio transformado num troféu - hábito Yautja que vemos desde o primeiro filme.

  5. Infelizmente não vimos muito do uso adequado da Barreira Idiomática. A produção e a direção não se dedicaram tanto assim à construção e utilização desse recurso no filme, que só teria ganhado pontos e crescido muito em qualidade, caso tivessem limitado os diálogos aos idiomas originais: Os indígenas falando Comanche (vimos isso em poucas cenas), os caçadores humanos falando francês (foi feito) e o Predador imitando algumas falas e usando de terror psicológico como vimos nos outros filmes da franquia.

  6. Voltando a falar da curva de aprendizado em relação à tecnologia alienígena, a direção deixou a desejar quando mostrou (intencionalmente ou não) que Naru descobriu como usar o equipamento do Predador por um coquetel de inteligência, dedução e a mais pura sorte, já que tudo o que ela “sabia” dessas armas era como elas eram letais nas mãos do monstro. Infelizmente esse momento clássico das “histórias de heróis” onde o protagonista usa as armas do vilão para vencer, não foi tão bem executado quanto poderia ser.

  7. A armadilha final de Naru lembrou muito a que ocorreu no filme de 1987. Inclusive, com todas as similaridades entre os 2 filmes, ficamos esperando para ver a protagonista coberta de lama ou se ocultando eficientemente na lama, mas a direção não entregou esse easter egg.

  8. Do mesmo jeito que começa sem qualquer explicação, mostrando nada mais do que a relação tribal dos humanos, o filme também termina sem deixar qualquer ligação ou ponta solta para qualquer tentativa de sequência ou mesmo uma ligação com os filmes posteriores. Mas faz questão de encerrar resgatando o momento de glória da caça, quando os caçadores bem sucedidos trazem suas presas para a tribo. Naru retorna para mostrar que estava certa o tempo todo, que é a melhor caçadora de toda a tribo mesmo sendo mulher - até porque todos os outros caçadores morreram.

Mas apesar desses pontos, o filme é muito bom para a temática e para a proposta. Nos arriscamos a dizer que talvez tenha empatado com o primeiro filme da franquia em matéria de entretenimento. Obviamente não do mesmo modo, não com o mesmo suspense ou impacto (cada um à sua época), mas avaliando exclusivamente o microverso de cada proposta, são filmes igualmente bons, com o bônus que Prey traz cenas lindas. Por essas e outras, avaliamos que O Predador: A Caçada é um filme que vale…


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Para os interessados de plantão, a Equipe Fliperama de Verdade e convidados, gravamos um podcast sobre um assunto que vem ignorando e quebrando todos os padrões estabelecidos para as séries já feitas. Tanto que nem mesmo o sistema da classificação indicativa conseguirá te preparar para o que aparecerá na sua tela, já que o máximo que serviço de streaming Prime Vídeo faz é informar quando um episódio é indicado para maiores de 16 anos e outros para maiores de 18 anos:


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