Review Uncharted, Fora do Mapa



O que é?

Depois de algum tempo e diversos lançamentos desse tipo, o nicho de caça ao tesouro está repleto de filmes que variam entre live action e animação. Sempre levando em conta que o dito tesouro pode ser apresentado pelo enredo na forma de uma engenhoca ou aparelho, uma fonte de energia ou superpoder, o bom e velho dinheiro, artefatos históricos de valor incalculável ou mesmo uma terra misteriosa (que pode invariavelmente conter todas as alternativas anteriores).


O fato é que a associação entre a Columbia Pictures, a PlayStation Productions, a Atlas Entertainment e a Arad Productions nos trouxe uma “nova proposta” de filme de ação e aventura convidando os fãs do gênero a retornarem às salas de cinema. Uncharted: Fora do Mapa é uma obra cinematográfica pautada pela boa e velha receita hollywoodiana de caçada épica a um tesouro inimaginável que está desaparecido há séculos. Apresentado o objetivo da empreitada, o público é apresentado a um personagem bonito e inteligente, um outro que é forte e bruto, um terceiro que não passa de um traíra, o(s) vilão(ões) e por fim às mais insanas e inesperadas presepadas e peripécias que o dinheiro dos estúdios pode pagar.


O objetivo claro de Uncharted: Fora do mapa é se distinguir de seus vários predecessores, por meio do uso e abuso de elementos inéditos possíveis/permitidos apenas pela alta tecnologia que moderna indústria do cinema é capaz de oferecer. Mas a pergunta aqui é: Será que deu certo?


Trailer Dublado


Retroceder para avançar

Para começar a falar de Uncharted: Fora do Mapa (UFM) precisamos fazer tal qual ocorre no início do filme, onde a narrativa retrocede alguns anos.


Nesses poucos segundos, o diretor Ruben Fleischer já deixa bem clara a linguagem principal que utilizará para contar a história de origem do personagem Nathan Drake, entregando ao público um grande flashback que dura mais ou menos entre 60 e 70% do filme.


Origem…

Como estamos em 2022, na era do PlayStation 5, é muito compreensível que muitas pessoas não saibam que o filme é baseado num jogo lançado no distante ano de 2007, mais precisamente no dia 19 de novembro de 2007 pela desenvolvedora Naughty Dog (EUA), que por sua vez, lançou o título Uncharted: Drake's Fortune por meio da Sony Computer Entertainment, sendo um título exclusivo do seu console da época, o PlayStation 3.


Depois de algum tempo do lançamento (e sucesso) de Uncharted: Drake's Fortune, a Naughty Dog deu continuidade à aventura de Nathan Drake iniciando uma franquia extremamente lucrativa e exclusiva da Sony por muito tempo. Os títulos principais da franquia foram lançados para os consoles PlayStation 3 e PlayStation 4. Mas houveram alguns títulos lançados no PlayStation Vita, IOS, Android e por último, no PlayStation 5 e no Microsoft Windows (somente agora em 2022).


Abaixo, segue a lista dos principais jogos da franquia:


O estigma da comparação…

Apesar de seu sucesso inegável, ainda mais em seu início, era impossível se esquivar de comparações à maior franquia de jogos de caça ao tesouro que o mundo dos games já viu: Tomb Raider. Uma franquia de jogos muito bons, nascida no distante ano de 1996 e, desde então, conta com mais de 20 títulos que atravessam as mídias e as gerações dos consoles, possuindo títulos em praticamente todas as plataformas de jogos comercializadas hoje em dia.


Mas se engana quem pensa que uma franquia gigante e mais do que consolidada como Tomb Raider também não teve seus dilemas. Os primeiros títulos de Tomb Raider também foram muito comparados à inesquecível e insuperável franquia cinematográfica de Indiana Jones. Uma sequência de filmes muito bem feitos (para a época) que não envelheceram de forma ruim, justamente por retratar estereótipos de época, no caso, do período da Segunda Guerra Mundial.


Aproveitando as idas e vindas, não tem como jogar a bola da discussão para os filmes e não falar novamente de Tomb Raider; ainda mais quando os títulos transcendem sua mídia de origem, criando sua própria franquia cinematográfica e disputando seu lugar ao sol entre as diversas produções do nicho de caça ao tesouro (agora, disputando de forma mais justa o páreo com o inigualável Professor Jones).

 

Aproveitando o gancho de Tomb Raider, a gente não podia deixar de mencionar que a galera do Canal Bat In The Sun fez um combate interessante entre a Lara Croft (Tomb Raider) e o Nathan Drake (Uncharted), confere abaixo:

Seguindo essa onda de comparação, não é só o Fliperama de Verdade que tem opiniões entre esses grandes exploradores do mundo dos games. Tanto que o canal Devin Supertramp, não deixou o Hype passar batido e prestou sua "homenagem":

 

Melhor de 3…

Falando de comparações, não tem como avançar nesse review de Uncharted: Fora do Mapa sem entender o período em que passam as histórias, sem conhecer os personagens e principalmente, o teor de suas respectivas aventuras.


Portanto, comecemos dissecando o personagem do Professor Jones, em seguida a aventureira Lara Croft e por fim, porém não menos importante, a bola da vez: Nathan Drake. O primeiro da lista se trata de ninguém menos que o destemido Professor de Arqueologia, Henry Walton Jones Junior. Também conhecido pelo pseudônimo Indiana Jones (pseudônimo que, segundo o próprio em conversa com seu pai, adotou em homenagem a seu amado e falecido cachorro).


Indiana Jones é um personagem criado por George Lucas e Steven Spielberg que, tem por finalidade homenagear todos os heróis dos contos, livros, filmes e HQs de ação e aventura dos anos 1930. As aventuras do Professor Jones eram pautadas por uma narrativa simples que deixava muito claro quem era quem ao longo da trama. Parte dessa compreensão vinha de forma natural por meio da mera caracterização do cenário e personagens, retratando relativamente bem o período histórico do enredo (às vezes era muito caricato, mas ainda assim, dentro do esperado).


O protagonista, como não podia deixar de ser, era o retrato (quase) fidedigno do homem da época da segunda guerra mundial. Chegava a ser caricato em diversos pontos, incluindo de seu caráter, visto que o Professor sempre apresentava facetas de de um homem inteligente, conhecedor de diversas culturas antigas; forte, ágil e perigoso com os punhos, chicote e armas; educado, galanteador, charmoso e mulherengo; além de ser um típico machão que, controversamente tinha um inexplicável (mas compreensível) pavor de cobras.


Quando chegamos em 1996, as pessoas (de forma geral) ainda estavam muito ligadas aos grandes exploradores do cinema como, T.E. Lawrence, Don Lope de Aguirre, Jack Colton, Allan Quatermain e o próprio Indiana Jones.


Fosse como fosse, não estavam preparadas para o nome que se tornaria o maior fenômeno dos games de aventura e caça ao tesouro, quebrando todos os paradigmas desse nicho. Isso mesmo, estamos falando do primeiro jogo da franquia Tomb Raider, também visto como o precursor do fenômeno da emancipação de protagonistas mulheres no mundo dos videogames, fazendo o papel da mulher forte e quase invencível. Tão perigosa (ou mais) quanto qualquer outro grande explorador real ou imaginário (live-action ou animado).

 

Inclusive falamos um bocado sobre o jogo da Lara Croft - Tomb Raider, em nosso 4º episódio do ICC - Insert Coin Cast, onde conversamos sobre a Evolução dos jogos retro de aventura.

 

Depois de se transformar num símbolo de aventura, a personagem Lara Croft transcendeu o mundo dos games para o universo das HQs e finalmente para os filmes; se consolidando como o contraponto perfeito ao inesquecível Professor Jones, dizendo aos fãs do explorador mais famoso da Cultura Pop que, daquela época em diante, lugar de mulher era onde ela quisesse estar (selvas, navios, tumbas, aviões, montanhas, etc). Claro que isso gerou todo tipo de situação e comparações hilárias (ora boas, ora inúteis e desnecessárias), mas é claro que tudo é parte de um grande processo evolutivo.


Depois de muito tempo contando com uma única personagem dominando o mundo de aventuras e caças ao tesouro tanto no mundo dos games quanto no cinema, os fãs do gênero não tinham muita escolha, visto que os poucos filmes que tentaram se lançar nesse nicho, não se mostraram concorrentes à altura de Lara Croft e do grande Indiana Jones.


Entre os filmes “derrotados” podemos encontrar (levando em conta produções live action e animação): A lenda do Tesouro Perdido, A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos, A Múmia 1 e 2, As Aventuras de Tintim, Atlantis: O Reino Perdido, Jumanji: Bem vindo à Selva, Jumanji: Próxima Fase, Planeta do Tesouro, Sahara, Z: A Cidade Perdida e diversos outros que podem ser colocados indiretamente nesse nicho, como A Família Adams.


Enquanto a briga era travada no mundo do cinema, o universo dos games já prenunciava os ventos da mudança ou de um retorno ao que era antigamente com o saudoso Indiana Jones. Isso começou quando a desenvolvedora Naughty Dog (EUA) lançou Uncharted: Drake's Fortune. Apesar de ser mais um jogo de aventura e caça ao tesouro, tendo uma essência tão conhecida dos amantes desse gênero de jogo, vinha na contramão do “padrão”. Começando pelo fato de trazer um protagonista homem, apresentado como um aventureiro de origem duvidosa, descendente de um pirata famoso, inteligente e sagaz tal qual um historiador com pós doutorado, especialista na arte e ofício de caçar tesouros, mestre enganador e um malandro de primeira linha que não devia em nada ao maior de todos.


Não tem como garantir que Nathan Drake foi pensado para ser o protagonista responsável pela “reconquista” do público quanto a personagens masculinos similares à proposta hollywoodiana do início dos anos 1980. Outro ponto que fazia Uncharted diferir de Tomb Raider (no mundo dos games) é que sua trama trazia aventuras mais “pé no chão”, tendo um conteúdo mais verossímil e despretensioso em relação a seu concorrente Tomb Raider. Afinal de contas, a franquia de Uncharted não ficou famosa por ver Nathan Drake matando dinossauros, dragões e outras “bizarrices”.


Ficha técnica

Direção: Ruben Fleischer;

Escrito por: Rafe Judkins, Art Marcum, Matt Holloway, Jon Hanley Rosenberg e Mark D. Walker;

Produzido por: Avi Arad e Ari Arad;

Elenco principal: Tom Holland, Mark Wahlberg, Antonio Banderas, Sophia Ali e Tati Gabrielle.

Caso queiram saber mais sobre todo o time que participou direta ou indiretamente do filme, recomendamos acessar a página de Uncharted: Fora do Mapa no IMDB pelo link abaixo.


Finalmente, a análise do filme

Depois de toda essa recapitulação, finalmente podemos avançar a análise sobre o que achamos de Uncharted: Fora do Mapa!


Já podemos começar pontuando que, de modo geral, o filme peca em prender a atenção do espectador médio, que desconhece os jogos ou simplesmente jogou a franquia de modo descompromissado. Não chega a ser cansativo, monótono ou qualquer coisa do gênero, mas é como dizem na culinária: Faltou pimenta!


Em matéria de apresentar alguma inovação tecnológica, seja em CGI ou efeitos práticos, também não acrescenta nada ao universo cinematográfico. Seu enredo não entrega nada de novo (e nem poderia, visto que é uma adaptação dos jogos e mesmo criando uma nova história para Nathan, ele precisa seguir o roteiro dos mesmos).


Não traz um áudio marcante, as músicas não são uma primazia de Hollywood mas são “ok”. De modo geral, não geram a vontade de saber mais sobre a trilha sonora, ou buscar ouví-la nos serviços de streaming. No entanto, apesar de não ser o melhor que poderia ser, Uncharted: Fora do Mapa é um filme que tem o somatório final positivo; funcionando mais ou menos como quando se vai a um self-service, muita variedade boa, mas nada realmente inesquecível.


Sobre os personagens, em particular sobre o protagonista, é impressionante como vemos Tom Holland “vestir a camisa” de Nathan Drake sem passar a imagem de ser quem ele deveria (ou poderia) ser. Acreditamos que a nítida diferença (física e psicológica) entre os 2 personagens, cinema e videogame se deva ao fato de que o filme de 2022 traz um Nathan Drake que, apesar de ser mostrado como um inteligente ladrão de carteiras ou um doente cleptomaníaco dotado de um vasto conhecimento histórico adquirido de maneira inexplicável, visto que não possui qualquer formação acadêmica, não consegue “se “vender” de outra forma que não a de um bom moço (inclusive mostrando isso diversas vezes durante o filme). Índole que vai totalmente contra a proposta lançada, alcançada e consolidada por sua versão no mundo dos games, onde Drake não é um vilão ou anti-herói, mas está longe de ser um “bom menino”.


Para as pessoas que acompanham os jogos, o filme contém várias referências que te fazem lembrar de vários momentos em que cada um encarnou jogando com Nathan em suas várias aventuras.


Fechando o círculo e a análise, falta falar do enredo/roteiro do filme, que apesar da imensidão de possibilidades que o gênero permite, o filme de Ruben Fleischer mergulha de forma superficial na caça ao tesouro fazendo um trabalho mediano. Entregando apenas o suficiente para se destacar visualmente entre seus filmes irmãos e mais antigos.


Por fim, acreditamos que Uncharted: Fora do Mapa é um filme que...

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Para os interessados de plantão, a Equipe do Fliperama de Verdade e convidados, selecionamos vários filmes, séries e jogos para darmos "Continue ou GameOver" para essas obras em nossa Retrospectiva 2021:



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