Cobra Kai - Review da 3ª Temporada



Resumo:

A essa altura já não é segredo nem spoiler que a 2ª Temporada de Cobra Kai segue uma crescente de eventos surpreendentes culminando literalmente na queda de Miguel Diaz (Xolo Madureña), até então tratado pelo roteiro como a nova personificação do Karatê Kid, ou seja, do rapaz que aprende Karatê para mudar sua vida. Dada a situação vivida por ele, é natural que o público fique ansioso para saber como a trama se desenrola, descobrindo que, aquilo que já estava ruim e fora de controle ainda pode piorar (drasticamente) com a presença de John Kreese (Martin Kove). Assim como uma alma penada, Kreese volta a assombrar o Dojo Cobra Kai e a vida de Johnny Lawrence (William Zabka) e principalmente de Daniel Larusso (Ralph Macchio), que está desde a 1ª Temporada avisando (todo mundo) que trazer o Cobra Kai de volta seria um erro sem precedentes mas, certamente um ótimo entretenimento para nós espectadores.


Essa mistura de elementos voláteis combinou perfeitamente com os aspectos oitentistas dos filmes originais ressuscitando o tema Karatê juntamente com a música marcante e os incessantes loopings de lembranças das situações vividas no passado de Daniel e Johnny, agora protagonizadas pela geração mais nova, com destaque para o nicho de Samantha Larusso (Mary Mouser), Tory Nichols (Peyton List) e suas respectivas gangues.


Trailer da 3ª Temporada:


Contexto - A Série de Modo Geral

Para começar a falar de Cobra Kai, precisamos de um contexto básico (calma que é só um pouco). Assim, para falar de Cobra Kai, precisamos buscar uma origem para esse projeto e, é quase inegável que sua idealização se deu durante a onda de nostalgia e remakes, revivals e reboots que tomou conta de grande parte das produções da indústria do cinema e televisão estadunidense.


Deste modo, Cobra Kai veio à luz da existência com um roteiro simples de revival e continuidade de uma franquia, trazendo uma produção modesta derivada de um baixo orçamento vindo até então do Youtube Originals. A websérie foi ganhando público e conquistando audiência a ponto de chamar a atenção da gigante Netflix, que enxergou potencial suficiente na atração para comprar seus direitos e, desde que passou a exibi-la como Original Netflix, os fãs da franquia e o público em geral transformaram a terceira temporada da série em líder do TOP 10 Netflix Brasil no mês de janeiro de 2021 (claro que isso também ocorreu fora do país), tendo mais que garantido a próxima temporada, que ainda está sem (previsão) de data para seu lançamento - os fãs especulam que, com a injeção de verba pela Netflix/Sony, a 4ª temporada venha ainda mais recheada de violência, locais estonteantes e mais atores dos filmes clássicos. Além de cogitarem a estreia para janeiro de 2022.


A fórmula utilizada na construção e desenvolvimento de Cobra Kai (tanto para o roteiro quanto sua direção) abusa de uma receita clássica inserindo diversos elementos na mistura de elenco com um objetivo simples: Agradar os fãs antigos (puramente pela nostalgia e fan service) enquanto alcança os corações de fãs novos para a série e a franquia (e quem sabe até mesmo para o Karatê em si).


Falando em mistura de elenco, a série apresenta os novos personagens de forma muito bem sucedida ao pintá-los da mesma forma que os antigos protagonistas, dividindo tudo entre mocinhos e bandidos. No entanto, da mesma forma que divide tudo entre bem e mal, a produção insere (em alguns personagens) diversas camadas cinzas por meio de flashbacks ou da pura e simples construção de personagem, visando criar uma sensação de evolução nos relacionamentos interpessoais (para o bem ou para o mal), explodindo reviravoltas intensas na tela e às vezes apresentando até mesmo um ar mais dramático.


De forma geral, a série mantém o humor entre os adolescentes (intra Dojo é claro) e principalmente entre a maioria dos adultos, apresentando situações inusitadas (às vezes previsíveis dada a construção dos personagens) buscando apoio na empatia, nostalgia e interesse do público por meio do conflito de realidades entre o hoje e as décadas de 80 e 90 sem pesar a mão na violência gratuita, já que a classificação indicativa é de apenas 14 anos.



Alerta de Spoilers:

Ah! Já ia esquecendo:

AGORA SIM...ALERTA DE SPOILERS A TORTO E A DIREITO!

Quietos! Vocês estão devidamente avisados.


Saibam que daqui para frente não mostraremos fraqueza nesse review nem pouparemos palavras. Se você é um fracote que ainda não assistiu a série ou na melhor das hipóteses falta só terminar a 3ª temporada, resolva isso! Termine de assistir e depois volte aqui para continuar a leitura e saber mais sobre o que é Cobra Kai e o Método do Punho! Muito bem. Agora que você já vestiu seu kimono, amarrou sua faixa e deu um passo à frente no tatame, prepare-se para treinar o calejamento! Porque aqui a gente ataca primeiro, acerta firme e não tem compaixão.



O Fliperama de Verdade destaca os seguintes pontos da 3ª Temporada:

Após o final apoteótico da Temporada anterior, Miguel começa a 3ª Temporada se recuperando do coma e seguir uma longa jornada para voltar a andar (e lutar) após o resultado de sua luta contra Robby Keene (Tanner Buchanan) - tá certo que o roteiro faz parecer que foi rápido (e fácil), mas não há qualquer aprofundamento na situação clínica de Miguel Diaz e, mesmo que houvesse, é difícil de saber se a extensão desse assunto seria bom para o andamento de uma série com temporadas curtas (10 episódios).


Falando de Robby Keene, depois do ocorrido na escola, o rapaz se joga numa espiral autodestrutiva em busca de uma punição filosófica pelo que fez. Até porque, se quisesse mesmo ser punido, teria se entregado à polícia na primeira chance que teve, mas é claro que o roteiro não poderia facilitar isso, não é mesmo? No fim das contas, Robby se transforma em ladrão de carro, comete pequenos delitos para sobreviver e se mantém como foragido da polícia enquanto se culpa por ter destruído a vida de Miguel Diaz durante a luta na escola.


Já os outros adolescentes dos 2 Dojos, estes dão continuidade à guerra de gangues (dentro e fora da escola). A novidade aqui é o papel das meninas Samantha e Tory, que se transformam nos generais de cada Dojo, buscando constantemente destruir uma à outra em suas cruzadas pessoais, expondo (a seus amigos e aos espectadores) suas índoles, motivações e fraquezas.


Longe de seus respectivos alunos e quase sempre alheios ao que os adolescentes estão vivendo (principalmente fora de seus Dojos), os dois Senseis (e eternos rivais) Johnny e Daniel inevitavelmente sentem o peso da culpa por permitirem que os pontos negativos de suas respectivas trajetórias tenham sido o estopim de um confronto muito maior que o de 30 anos atrás. A nova geração está levando a rivalidade longe demais e eles não têm a menor ideia de como resolver isso, já que não conseguem resolver os próprios problemas. Então a busca pelo paradeiro de Robby se transforma noutra competição, resultando numa situação previsível em que o rapaz é preso e passa a odiar e querer distância tanto de Daniel quanto de seu pai Johnny.


Falando em Senseis, a terceira temporada tenta humanizar o vilão John Kreese contando parte de sua história por meio de flashbacks da época da guerra do Vietnã - revelando inclusive que ele já teve um coração (traçando um paralelo sutil com os adolescentes da série, visto que ele também foi estragado por um mal professor).


Esse recurso tenta explicar o comportamento sociopata de Kreese (devido às situações vividas durante a guerra) mostrando que sua maldade tem camadas sob aquela pele esticada da cobra pai. O roteiro faz isso apontando que Kreese também é um homem preso ao passado mas não do mesmo modo que Johnny Lawrence, já que Kreese entende pelo menos o básico de negócios a ponto de conseguir roubar o Dojo Cobra Kai legalmente, se posicionar ante o conselho municipal como uma pessoa de bem, usar os mecanismos da lei e a própria polícia a seu favor ao garantir judicialmente que a família LaRusso não possa se aproximar dele, do seu Dojo e/ou dos seus alunos ao mesmo tempo em que espalha de forma velada a doutrina Cobra Kai entre as crianças da cidade.


Essa guinada da narrativa continua usando a bengala dos flashbacks com cenas dos filmes clássicos (desde a 1ª Temporada), mas a cereja do bolo veio com a mudança de cenário diretamente para Okinawa com o resgate dos personagens do filme Karate Kid 2, Chozen Toguchi (Yuji Okumoto) e Kumiko (Tamlyn Tomita), trazendo uma primorosa jornada de aprimoramento do personagem Daniel LaRusso, rendendo algo mais do que a renovação de seu contrato com a fábrica de automóveis japoneses - ele já mostrou isso na luta contra Kreese depois de descobrir o que os vândalos do Cobra Kai fizeram em sua casa.


Finalmente e não menos importante, a série também mostra que seus truques narrativos não estão lá à toa, já que o roteiro decidiu fechar o arco do Facebook trazendo de volta o pivô do primeiro filme: Ali Mills (Elisabeth Shue). Que chega colocando o dedo na ferida dos dois Senseis, fazendo com que eles entendam que são mais parecidos do que pensam e, para resolver o problema causado pelo Cobra Kai, terão que se transformar em algo maior (e melhor) do que eles mesmos.



Mesmo com o final da 3ª temporada mostrando a união do Sensei Daniel com o Sensei Johnny para enfrentarem os alunos do Sensei Kreese, a ida de Robby para o Cobra Kai, a união de Miguel e Samantha e a iminência do Torneio de karatê para resolver o confronto do ano, temos a ligação de Kreese pedindo ajuda para um antigo amigo, mas esse amigo é mais um recrutado do filme clássico do Karatê Kid III, o vilão vivido por Thomas Ian Griffith o personagem Terry Silver. Até o presente momento, não temos muitas novidades sobre a trama da quarta temporada e muito mesmo a sua previsão de estreia, mas o ator Thomas Ian publicou em seu Twitter o seguinte post:



Mas nós da Equipe Fliperama de Verdade não vamos falar de todos os eventos que ocorreram na série, para poder deixar uma pontinha de curiosidade para saber o quê aconteceu para as coisas tomarem o rumo do final do último episódio da série.


Avaliação:

Depois de toda a nostalgia e fan service de rever os personagens dos filmes clássicos de Karatê Kid, a evolução dos personagens como pessoas e a adaptação para o mundo atual do Universo Karatê Kid com a série Cobra Kai, nós da equipe damos 4 FICHAS para a série.


Curiosidades:

  • Entrevista com Xolo Madureña no GC sobre o Cobra Kai: Entrevista;

  • Em 2007 a Banda No More Kings com a música Sweep The Leg convidou os atores de Karatê Kid para reviverem os seus papéis e colocar o Daniel LaRusso como vilão:

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