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Review Resident Evil de Zach Cregger (Sem Spoiler)

há 21 horas
9 min de leitura

Resident Evil (2026), de Zach Cregger: Será que o terror voltou a dar medo?

Resident Evil o monstro

Zach Cregger entendeu uma coisa essencial sobre Resident Evil: o medo funciona melhor quando o jogador — ou, neste caso, o espectador — não se sente preparado para o que vem a seguir. O novo filme não tenta apenas reproduzir monstros, armas e nomes conhecidos. Ele recupera a sensação de vulnerabilidade dos jogos clássicos e transforma essa sensação em uma experiência cinematográfica de terror, horror e sobrevivência.


Como a Equipe Fliperama de Verdade costuma defender, adaptação de game não precisa copiar cada cena para respeitar sua origem. Ela precisa entender a sensação que fez a obra funcionar. E jovens gafanhotos, é justamente aí que este Resident Evil brilha.


Trailer do filme:


Um protagonista comum em um mundo impossível

O grande acerto está em Bryan, interpretado por Austin Abrams. Ele não começa como um soldado, um policial treinado ou um especialista em armas. É uma pessoa comum, com problemas comuns, jogada em uma situação que exige habilidades que ela simplesmente não tem.


Essa escolha aproxima o público do personagem. Antes de virar alguém capaz de reagir ao caos, Bryan precisa entender o que está acontecendo, sobreviver a cada nova ameaça e lidar com o próprio medo. A evolução é gradual e orgânica. O filme não transforma seu protagonista em herói por conveniência de roteiro; ele faz Bryan conquistar cada passo.


É justamente aí que a adaptação encontra o espírito de Resident Evil. O horror não nasce apenas da criatura na tela. Ele nasce da dúvida: existe uma saída? Há munição suficiente? É possível confiar naquela porta, naquele corredor ou naquele som ao fundo?


Terror, horror e a tensão dos jogos clássicos

O filme evoca uma experiência muito próxima da que marcou Resident Evil 1, 2 e 3 em seus lançamentos originais, além da tensão de Resident Evil 7 e da expectativa associada a Resident Evil 9. A ameaça pode surgir em qualquer momento, e a direção trabalha bem o intervalo entre um susto e outro.


Não é apenas uma sucessão de jumpscares. A tensão cresce porque o espectador sabe que o perigo pode estar fora do enquadramento. Esse cuidado com o espaço e com a antecipação faz lembrar momentos dos jogos em que era necessário pausar para respirar antes de continuar — como a clássica invasão de Nêmesis pela janela da delegacia, que traumatizou uma geração inteira de jogadores.


As referências aos games também aparecem de forma funcional. Monstros, armas e situações reconhecíveis não estão ali somente para provocar aplausos. Eles participam da lógica de sobrevivência do filme. Para quem conhece a franquia, há recompensas visuais e conceituais; para quem chega sem esse repertório, a história continua funcionando como um filme de terror.


Resident Evil  explorando Raccon City

O caos cresce sem parecer roteirizado

Outro ponto forte é a condução do colapso. O caos se amplia de maneira progressiva, sem a impressão de que o roteiro está empurrando os personagens de uma cena para outra apenas para chegar ao próximo espetáculo.


A cada etapa, fica mais difícil imaginar que Bryan terá algum descanso. Em vários momentos, a reação é exatamente aquela que um fã espera de uma boa história de sobrevivência: “esse lazarento não vai ter descanso?”. O filme sabe usar essa exaustão a seu favor.


Os momentos de alívio cômico ajudam a preparar o próximo pico de tensão. O humor não elimina o horror; ele oferece uma pausa curta antes de devolver o público ao perigo. Austin Abrams tem um timing cômico importante para equilibrar o peso da situação sem transformar tudo em paródia.


Uma nova mutação dentro de uma mitologia conhecida

A apresentação de uma nova mutação é uma boa decisão. Depois de tantos vírus, parasitas e experimentos explorados nos jogos, nos filmes, nas séries e nas animações, seria fácil repetir fórmulas já conhecidas. O filme encontra uma variação própria sem abandonar a identidade biológica e monstruosa da franquia.


Esse equilíbrio é difícil: a novidade precisa parecer estranha, mas ainda deve pertencer ao universo de Resident Evil. Aqui, a escolha funciona porque a criatura não é tratada apenas como uma vitrine de efeitos visuais. Ela participa da escalada de horror e reforça a sensação de que a situação está fugindo de qualquer controle.


Resident Evil  primeiro contato com o mutante

O carinho pelos jogos aparece na tela

Parabéns a Zach Cregger pela imersão. O diretor demonstra carinho pela franquia, principalmente pelos jogos clássicos, e conduz o personagem principal com uma compreensão rara do que torna Resident Evil tão particular.


Mesmo que Cregger não tenha sido um jogador dedicado, o resultado sugere que ele soube ouvir as pessoas certas. A adaptação respeita elementos que não são apenas cosméticos: a vulnerabilidade, a exploração de espaços perigosos, o uso cuidadoso de recursos, os encontros imprevisíveis e a alternância entre tensão e alívio.


O filme não precisa trazer todos os personagens conhecidos para provar que conhece a franquia. Ainda assim, o fã pode sentir falta de uma referência mais direta aos nomes centrais dos games. Esse é um desejo legítimo, mas não compromete a identidade da história apresentada.


Bilheteria: um começo muito acima do histórico recente

Até 1º de outubro de 2026, Resident Evil acumulava aproximadamente US$ 123 milhões no mundo, em cálculo que combina US$ 81 milhões na América do Norte com US$ 42 milhões nos mercados internacionais. O valor internacional estava sujeito a ajustes de atualização entre os agregadores, portanto o número deve ser lido como o melhor retrato disponível para o corte solicitado, não como bilheteria final.


A abertura doméstica foi de aproximadamente US$ 60,15 milhões, enquanto a abertura mundial reportada no primeiro fim de semana chegou a US$ 108,3 milhões. O desempenho já superou, em apenas um fim de semana, a bilheteria mundial final do Resident Evil de 2002 em valores nominais de comparação de lançamento, que ficou pouco acima de US$ 103 milhões.


O orçamento confirmado pelas publicações de mercado foi de US$ 75 milhões. Há referências circulando ao valor de US$ 80 milhões, mas, para esta análise, usamos o número de produção reportado por The Numbers, Variety, The Hollywood Reporter e IndieWire. Isso não inclui necessariamente marketing e distribuição.


Resident Evil chegando em Raccon City

Comparativo com grandes filmes de terror/horror

Todos os valores abaixo estão em dólares nominais. “Bilheteria mundial” significa a soma dos mercados doméstico e internacional conforme a base indicada. Em Resident Evil (2026), o total é acumulado e parcial até o corte de 24/09; nos demais títulos, é o total final de lançamento original.

Filme

Orçamento

Abertura doméstica

Bilheteria mundial

Observação

It (2017)

US$ 35 mi

US$ 123,4 mi

US$ 702,8 mi

Fenômeno de abertura e de longo prazo

The Nun (2018)

US$ 22 mi

US$ 53,8 mi

US$ 366,1 mi

Franquia de horror de baixo orçamento relativo

A Quiet Place (2018)

aprox. US$ 17 mi

US$ 50,2 mi

US$ 341,0 mi

Orçamento estimado

Five Nights at Freddy’s (2023)

US$ 20 mi

US$ 80,0 mi

US$ 297,2 mi

Forte apelo de fandom

Weapons (2025)

US$ 38 mi

US$ 43,5 mi

US$ 270,1 mi

Outro sucesso de Zach Cregger

Halloween (2018)

US$ 10 mi


US$ 76,2 mi

US$ 255,5 mi

Total do lançamento original

Smile (2022)

US$ 17 mi

US$ 22,6 mi

US$ 217,0 mi

Crescimento sustentado após a estreia

Resident Evil (2026)

US$ 75 mi

US$ 60,2 mi

US$ 123 mi até 01/10

Total ainda parcial


O novo Resident Evil tem o maior orçamento da amostra, mas também conseguiu a maior abertura doméstica entre os títulos comparados, com exceção de It. Mais importante: abriu muito acima de Weapons, o que reforça a força combinada da marca Resident Evil, do público gamer e do prestígio conquistado por Cregger com Barbarian e Weapons.


Ainda é cedo para comparar a bilheteria final. It, The Nun, A Quiet Place, Five Nights at Freddy’s, Weapons, Halloween e Smile tiveram tempo de completar suas carreiras comerciais. O que já dá para afirmar é que o filme recuperou a franquia como evento de cinema e transformou uma marca que vinha de resultados instáveis em uma das estreias de terror mais relevantes de 2026.


Como ele se compara ao live-action de Resident Evil?

A recepção crítica do novo filme também é a melhor entre os principais longas live-action da franquia. No momento da consulta, Resident Evil (2026) registrava 96% no Tomatometer e 91% no Popcornmeter no Rotten Tomatoes, além de 79/100 no Metacritic. As notas são dinâmicas e podem mudar.

Produção live-action

Orçamento

Bilheteria/audiência

Rotten Tomatoes

Metacritic

Resident Evil (2002)

US$ 33–35 mi

US$ 103,0–103,8 mi

36% crítica / 67% público

35/100

Resident Evil: Apocalypse (2004)

US$ 45–50 mi

US$ 125,2–129,3 mi

18% / 60%

36/100

Resident Evil: Extinction (2007)

US$ 45 mi

US$ 147,7–149,9 mi

24% / 58%

41/100

Resident Evil: Afterlife (2010)

US$ 57,5–60 mi

US$ 295,9–300,2 mi

21% / 48%

37/100

Resident Evil: The Final Chapter (2016/17)

aprox. US$ 40 mi

US$ 312,2–314,1 mi

39% / 47%

49/100

Welcome to Raccoon City (2021)

aprox. US$ 25 mi

US$ 41,9 mi

30% / 65%

44/100

Resident Evil (2026)

US$ 75 mi

US$ 123,1 mi até 01/10

96% / 91%

79/100

Resident Evil — Netflix (2022)

não localizado

72,7 mi de horas na 1ª semana; 73,3 mi na 2ª

54% / 26%

53/100


A comparação mostra dois movimentos. Os filmes de Paul W. S. Anderson e companhia frequentemente tiveram público suficiente para manter a franquia viva, especialmente fora da América do Norte, mas raramente convenceram a crítica. Já Welcome to Raccoon City tentou se aproximar mais da iconografia dos jogos e acabou com desempenho comercial fraco: cerca de US$ 41,9 milhões para um orçamento estimado de US$ 25 milhões.


A série da Netflix teve uma métrica diferente, sem bilheteria teatral. Ela estreou com 72,7 milhões de horas vistas na primeira semana e foi cancelada após uma temporada. Sua recepção foi dividida entre a crítica e, principalmente, o público, que registrou 26% no Popcornmeter e 1,5/10 no User Score do Metacritic na consulta.


Cregger não apaga os filmes anteriores. Ele faz algo mais útil: entende que a franquia pode ser divertida, violenta e acessível, mas que o terror precisa voltar a ocupar o centro da experiência. Por isso, seu filme se diferencia não por ter mais referências, e sim por saber o que fazer com elas.


Resident Evil  personagem fugindo

Veredito da Equipe Fliperama de Verdade

Resident Evil (2026) é um filme que merece a atenção do fã. Ele entrega referências aos jogos, monstros memoráveis, armas reconhecíveis e uma mutação nova, mas seu principal mérito é recuperar a sensação de estar indefeso diante de uma ameaça que pode surgir a qualquer momento.


A história de uma pessoa comum enfrentando um apocalipse zumbi funciona porque não existe competência instantânea. Há medo, confusão, problemas cotidianos e uma evolução conquistada sob pressão. É nessa humanidade que o filme encontra seu coração.


Com um orçamento de US$ 75 milhões, Cregger e sua equipe entregam uma produção de escala convincente sem sacrificar o terror. O filme entende o valor do silêncio, da espera e do susto bem colocado. Também entende que o humor pode aliviar a tensão sem destruí-la.


Para quem cresceu com os clássicos, é uma adaptação que respeita a sensação dos jogos. Para quem nunca jogou, é uma aventura de horror eficiente, violenta e surpreendentemente identificável.


É o tipo de filme que merece ser visto na tela grande, de preferência com o celular longe e o volume alto. Não porque seja perfeito — os problemas apontados na seção de spoilers existem —, mas porque a experiência depende da imersão. Se você gosta de terror, videogame e personagens que precisam aprender a sobreviver na marra, pode ir de boa.


Se já assistiu, conta para a Equipe Fliperama de Verdade: o filme recuperou para você a tensão dos clássicos ou ficou mais perto de uma aventura de ação? E, claro, sem entregar spoilers para quem ainda está esperando a sessão.


Pontos de melhoria — Spoilers

Spoilers a partir daqui.

  • A ausência de uma presença mais visível da polícia espalhada pela cidade e das forças de ação da Umbrella, mesmo que em condição de derrota ou morte, deixa o cenário menos completo do que poderia ser.

  • O filme poderia ter feito referências mais diretas aos personagens principais da franquia. Eles não precisariam aparecer; uma menção ou um detalhe de fã já seria suficiente para ampliar a conexão com a mitologia dos jogos.

  • O erro cometido no laboratório de alto nível da Umbrella no final pede uma suspensão de descrença maior do que o restante do filme. Em uma instalação daquele porte, seria razoável esperar protocolos mais rigorosos.


Esses pontos não anulam o resultado. São oportunidades para uma eventual continuação aprofundar a relação com a polícia, a Umbrella e os personagens centrais sem abandonar o foco em pessoas comuns tentando sobreviver. Então por isso, acreditamos que o filme merece...

Vale 5 fichas

O novo filme é uma ótima porta de entrada para revisitar a cronologia de Resident Evil. No especial da Equipe Fliperama de Verdade sobre a lore, a recomendação editorial é acompanhar a evolução da franquia desde os experimentos iniciais e a formação da Umbrella até os surtos, vírus, parasitas, organizações e protagonistas que moldaram esse universo.


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